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  • Foto do escritor: Cíntia Cazangi
    Cíntia Cazangi
  • 3 de ago. de 2016
  • 2 min de leitura

Na adolescência o indivíduo vivencia uma transição entre a vida infantil e adolescente, agindo em alguns momentos como criança que não tem responsabilidades, quer proteção e em outros querendo total independência, irritando-se com conselhos e a cobrança por satisfações. Neste momento de transição a antiga criança está aprendendo a lidar com as mudanças de seu corpo e sua mente e os pais estão aprendendo a deixar de ter uma criança para ter um adolescente em casa, com diferentes necessidades e interesses.

É uma época da vida marcada por diversas mudanças:

  • Formação de uma nova identidade

  • Rompimento com modelo infantil

  • Identificação com grupo

  • Alterações corporais

  • Interesse pelo sexo

  • Impulsividade

  • Sentimentos e desejos ambivalentes (onipotência e fragilidade; independência (dos pais) e dependência (do grupo), entre outros)

pais e filhos adolescentes

Essa época também tem como característica o interesse por atividades e relacionamentos externos à casa e à família, o que em geral causa preocupações e dificuldades, por parte dos pais, em lidar com essa curiosidade e movimento do filho. Surgem várias questões como:

Será que meu filho está escolhendo amigos adequados?

Será que não gosta mais da família?

Porque está agindo assim?

Alguns adolescentes podem neste momento apresentar dificuldades em se colocar socialmente e inserir-se em um grupo, isolando-se, apresentando timidez excessiva ou até mudando drasticamente de comportamento, aparência e idéias para identificar-se e ser aceito pelo grupo.

Essas mudanças e novas descobertas na vida do adolescente podem gerar dúvidas, constrangimentos, medos, confusões, dificuldades em se relacionar, em se colocar e lidar com todas essas novas descobertas.

Portanto é necessário que o adolescente seja constantemente orientado, que seja propiciado um ambiente de acolhimento, em que ele sinta desejo e confiança em partilhar suas questões com a família. Para que assim possa-se evitar o que é vivenciado socialmente como ruim, inapropriado (rebeldia, delinqüência, gravidez na adolescência, abuso de álcool e drogas, etc.).

Neste sentido o atendimento psicológico com o adolescente é caracterizado por certo aspecto lúdico e também através da fala, como intermédio entre o atendimento adulto e infantil, levantando questões típicas dessa fase. O atendimento é realizado com o adolescente e caso haja a necessidade, também com os pais e escola. Por ser uma fase de mudanças e transformações físicas, emocionais e sociais, pode apresentar uma maior fragilidade, sendo necessário um facilitador para o bom andamento do desenvolvimento.

E você, o que pensa a respeito? Deixe seu comentário.

Filme sugerido: Confissões de Adolescente, 2013

confissões de adolescente

Inspirado nos diários de Maria Mariana, que também originaram espetáculo teatral, livro de sucesso e série televisiva, 'Confissões de adolescente' acompanha os ritos de passagens vividos pelas irmãs Tina, Alice e Karina. Com o aviso do pai de que vão ter que se mudar do apartamento onde vivem, na Barra da Tijuca, por causa do aumento excessivo do aluguel, as meninas prometem economizar mais dinheiro e ajudar nas tarefas domésticas para tentar reverter a decisão. Enquanto lidam com isso, cada uma vive um rito de passagem típico da idade: o primeiro beijo, a primeira relação sexual, o primeiro emprego, o primeiro rompimento...

Escrito por Cíntia Cazangi

Psicóloga clínica, psicoterapeuta, formada e pós graduada pela UNESP/SP e Santa Casa de Misericórdia/SP, especializanda pelo Instituto Sedes Sapientiae. 10 anos de experiência no atendimento a adultos, adolescentes, idosos, crianças, orientação de pais e profissional.

 
 
 
  • Foto do escritor: Cíntia Cazangi
    Cíntia Cazangi
  • 29 de jul. de 2016
  • 2 min de leitura

ansiedade

A sensação de ansiedade é uma vivência comum de qualquer ser humano. É um sinal de alerta, que serve para avisar sobre um perigo iminente e possibilita a tomada de medidas para enfrentar uma possível ameaça. A ansiedade é uma resposta a uma ameaça desconhecida, interna, vaga ou de origem conflituosa.

A ansiedade ou angústia é um estado emocional que consiste em um sentimento difuso, desagradável e vago, de apreensão e desamparo com ou sem objeto identificável, podendo ser compreensivelmente relacionado à situação atual do indivíduo. Engloba sintomas psíquicos (medo, apreensão, expectativa, desrealização) e físicos (taquicardia (palpitações), tremores, sudorese, dispnéia, dores ou aperto no peito, cefaléia (dores de cabeça), etc.).

É um fenômeno presente em quase todos os transtornos mentais, e onipresente na nossa vida. Uma pessoa ansiosa também pode sentir inquietação, indicada por incapacidade para permanecer sentada ou imóvel por muito tempo. O conjunto de sintomas presentes durante a ansiedade tende a variar entre as pessoas.

ansiedade generalizada

Ansiedade Generalizada

A síndrome de ansiedade generalizada caracteriza-se pela presença de sintomas ansiosos excessivos, na maior parte dos dias, por pelo menos seis meses. A pessoa vive angustiada, tensa, preocupada, nervosa ou irritada. Tensão motora (tremores, inquietação e cefaléia), hiperatividade autonômica (falta de ar, sudorese excessiva, palpitações e vários sintomas gastrintestinais) e vigilância cognitiva (evidenciada pela irritabilidade e facilidade com que se sobressalta) são os principais sintomas. Nesses quadros são freqüentes também: insônia, dificuldade em relaxar, angústia constante e dificuldade em concentrar-se; sintomas físicos como tontura, dores musculares, formigamentos; referem-se a tais estados, as designações populares como "gastura", "repuxamento dos nervos" e "cabeça ruim".

Para se fazer o diagnóstico de uma síndrome ansiosa é também necessário verificar se os sintomas ansiosos causam um sofrimento clinicamente significativo e prejudicam a vida social e ocupacional do indivíduo. Muitas vezes devido aos sintomas físicos apresentados o indivíduo inicialmente busca a ajuda de um clínico geral, porém um transtorno médico não psiquiátrico raramente é encontrado. Portanto é necessário a busca por profissionais da área psi como psiquiatras e psicólogos.

O que você pensa a respeito? Deixe seu comentário.

Ansiedade

Fonte:

Compêndio de Psiquiatria Dalgalarrondo, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

Filme sugerido: Adaptação ("Adaptation"), 2002.

Charlie Kaufman (Nicolas Cage) precisa de qualquer maneira adaptar para o cinema o romance "The Orchid Thief", de Susan Orlean (Meryl Streep). O livro conta a história de John Laroche (Chris Cooper), um fornecedor de plantas que clona orquídeas raras para vendê-las a colecionadores. Porém, além das dificuldades naturais da adaptação de um livro em roteiro de cinema, Charlie precisa lidar também com sua baixa auto-estima, sua frustração sexual e ainda Donald, seu irmão gêmeo que vive como um parasita em sua vida e sonha em também se tornar um roteirista.

Escrito por Cíntia Cazangi

Psicóloga clínica, institucional e psicoterapeuta, formada e pós-graduada pela UNESP/SP e Santa Casa de Misericórdia/SP, especializanda em Psicossomática Psicanalítica pelo Instituto Sedes Sapientiae. 10 anos de experiência no atendimento a adultos, adolescentes, idosos, crianças, orientação de pais e profissional.

 
 
 
  • Foto do escritor: Cíntia Cazangi
    Cíntia Cazangi
  • 19 de jul. de 2016
  • 3 min de leitura

psicossomático, psicossomática, psicossomáticos, psicossomáticas

Somático é o que se refere ao físico, ao corporal. Psíquico é o que ocorre no âmbito mental e comportamental de uma pessoa.

Psicossomáticas não são doenças criadas pela imaginação e sim sintomas reais, que incomodam, doem e incapacitam, mas que tem o fundo emocional como desencadeador. Segundo Franz Alexander toda doença é psicossomática, pois os fatores emocionais influenciam todos os processos fisiológicos.

O corpo reage à medida que a pessoa sente. As emoções são repostas subjetivas de vivências fisiológicas. Não é a toa que nos sintomas da depressão, ansiedade e pânico, por exemplo, existem os sintomas físicos mesmo o sofrimento sendo originário do pensamento. À medida que o corpo é afetado pelo que sentimos, seja por uma grande decepção, alegria, raiva, medo ou qualquer emoção, ele reage e pode culminar em uma desorganização somática, aí podem surgir as doenças biológicas.

O contrário também ocorre, ou seja, funções fisiológicas são afetadas por estados emocionais. Nosso comportamento é motivado por necessidades e desejos. Reações viscerais ocorrem a partir de estímulos emocionais. Tais processos tem a função de percepção, ação, representação, descarga, alívio da tensão e equilíbrio do organismo.

Quando nos deparamos com um adoecimento físico, o psíquico reage a esta situação, determinando muitas vezes a forma de enfrentamento da enfermidade, seja com otimismo ou com negatividade, por exemplo. Parafraseando Victor Manoel Andrade: “Não é esperado que o fenômeno psíquico possa se desvincular do biológico”.

Chamamos de “funcionais” os sintomas inexplicáveis para a medicina por doenças identificáveis, tais sintomas podem ser dores musculares, cefaleia tensional, palpitação, tontura, intestino irritável, entre outras. Entretanto é importante ressaltar que a persistência do sintoma funcional pode realmente gerar uma doença.

mente e corpo

Toda doença, psíquica ou biológica, tem um significado, ela sempre vem carregada de um sentido, uma finalidade e uma função na vida daquele que adoece. Doença, em geral, nos remete a um estado regressivo que requer cuidados, podemos perceber isso ao observar alguém doente, este costuma ficar mais sensível, carente, manhoso, necessita de maior atenção e, portanto exige um investimento de fora para dentro.

Segundo Donald W. Winnicott é possível perceber que um dos objetivos da doença psicossomática é o de retomar a associação íntima entre psique e soma (corpo). A doença entraria como uma oportunidade de reaver um conflito, experiência traumática ou vivência não elaborada, ao proporcionar uma regressão, cria a possibilidade da pessoa se reorganizar e reestabelecer a coerência entre o psíquico e o somático.

As pessoas mais suscetíveis a adoecer podem ter maior dificuldade em lembrar-se do passado, mantendo uma maior ligação com o factual, com o presente, pensamento ligado à materialidade, distanciamento afetivo dos acontecimentos, menor capacidade de elaboração simbólica, ausência de sonhos, ou até um vazio sem sentido. Isso dificulta a percepção da necessidade de cuidar do emocional antes ou quando uma doença se instala. É também um desafio para muitos psicólogos, pois a pessoa tem um sofrimento psíquico porém não o identifica, a experiência traumática é sentida no corpo, porém não é representada na mente.

integração mente e corpo, psicossomática

Quando pensamos num adoecimento psicossomático, é necessário um tratamento diferencial, em que se leve em consideração os cuidados com o corpo e também com a mente. Tratar apenas uma parte proporcionará um tratamento pouco eficaz no sentido de não lidar com todas as questões envolvidas. Vale ressaltar que toda doença é uma tentativa de estabelecimento de equilíbrio.

Então cabe avaliar, você cuida da sua mente da mesma forma que cuida do seu corpo? E cuida do seu corpo como cuida de sua mente?

Deixe seus comentários!

Filme sugerido: Um Golpe do Destino, ("The Doctor"), 1991

Um golpe do destino

"Um Golpe do destino" é um filme dirigido por Randa Haines e estrelado por William Hurt como um médico bem sucedido, rico e aparentemente sem nenhum problema, até o momento em que é diagnosticado com câncer de garganta, Ele sofre uma transformação em sua visão sobre a vida, a doença e as relações humanas após se tornar paciente. Busca hospitais, tratamentos e médicos, percebendo que ser um doutor é mais do que somente cirurgias e prescrições.

Escrito por Cíntia Cazangi

Psicóloga clínica, institucional e psicoterapeuta, formada e pós-graduada pela UNESP/SP e Santa Casa de Misericórdia/SP, especializanda em Psicossomática Psicanalítica pelo Instituto Sedes Sapientiae. 10 anos de experiência no atendimento a adultos, adolescentes, idosos, crianças, orientação de pais e profissional.

 
 
 
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