• Cíntia Cazangi

Será que estou com depressão?


A depressão muitas vezes é confundida com uma tristeza passageira após algum acontecimento específico, porém uma tristeza prolongada pode levar ao adoecimento. Na depressão pode haver uma sensação de entristecimento inespecífico, porém ela não é caracterizada apenas pelo entristecimento e rebaixamento do humor, mas por uma multiplicidade de sintomas.

Nos episódios de depressão (leve, moderado ou grave), a pessoa apresenta durante um período mínimo de duas semanas, um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Entre os múltiplos sintomas estão:

Sintomas afetivos

  • tristeza, melancolia choro fácil e/ou freqüente

  • apatia (indiferença afetiva - "tanto faz, como tanto fez",

  • sentimento de falta de sentimento - "não consigo sentir mais nada",

  • sentimento de tédio, aborrecimento crônico,

  • irritabilidade aumentada (a ruídos, pessoas, vozes, etc.)

  • angústia ou ansiedade,

  • desespero,

  • desesperança.

Alterações da esfera instintiva e neurovegetativa, "somáticos":

  • fadiga importante (mesmo após um esforço mínimo), cansaço

  • desânimo, diminuição da vontade,

  • alterações do sono,

  • alterações do apetite,

  • constipação, palidez,

  • alteração da capacidade de sentir prazer,

  • diminuição da libido e resposta sexual.

Alterações ideativas:

  • ideação negativa, pessimismo em relação a tudo,

  • idéias de culpa e ou de indignidade, arrependimentos, mesmo nas formas leves ruminações com mágoas antigas,

  • idéias de morte, desejo de desaparecer, dormir para sempre,

  • ideação, planos ou atos suicidas.

Alterações cognitivas:

  • dificuldade da capacidade de concentração, atenção e memória,

  • dificuldade de tomar decisões,

  • pseudodemência depressiva.

Alterações da autovaloração:

  • diminuição da auto-estima e da autoconfiança,

  • sentimento de insuficiência, de incapacidade,

  • sentimento de vergonha e auto-depreciação.

Alterações da volição e da psicomotricidade:

  • Tendência a permanecer na cama por todo o dia,

  • aumento na latência entre as perguntas e respostas,

  • lentificação psicomotora até estupor,

  • diminuição da fala, redução da voz, fala muito lentificada,

  • mutismo (negativismo verbal),

  • negativismo (recusa à alimentação, à interação pessoal, etc.).

Sintomas psicóticos:

  • idéias delirantes de conteúdo negativo,

  • delírio de ruína ou miséria,

  • delírio de culpa,

  • delírio hipocondríaco e/ou negação dos órgãos,

  • delírio de inexistência (de si e/ou do mundo),

  • alucinações,

  • ilusões auditivas ou visuais,

  • ideação paranóide.

​O número e a gravidade dos sintomas permitem determinar três graus de um episódio depressivo: leve, moderado e grave.

Depressão leve - presentes ao menos dois ou três sintomas.

Depressão moderada - presentes ao menos quatro ou cinco sintomas.

Depressão grave - vários dos sintomas são presentes e marcantes.

O episódio, apresentado durante um período mínimo de duas semanas, deve ser acompanhado por sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Para alguns indivíduos com episódios mais leves, o funcionamento pode parecer normal, mas exige um esforço acentuadamente aumentado. Em crianças e adolescentes, pode desenvolver-se um humor irritável ou rabugento, ao invés de um humor triste ou abatido. Esta apresentação deve ser diferenciada de um padrão de "criança mimada", que se irrita quando é frustrada.

Cabe ressaltar que a avaliação de um psicólogo e/ou psiquiatra se faz necessária e é indispensável. Ao identificar ou suspeitar da depressão, recorra a um acompanhamento com profissional capacitado. Devido a gravidade dos sintomas e conteúdo dos pensamentos, pode se tornar difícil para a pessoa que sofre de depressão recorrer a ajuda de um profissional, sendo necessário o apoio da família e amigos para que este procure e se mantenha em acompanhamento. Dependendo da gravidade, pode ser necessário a associação de tratamento medicamentoso para alívio dos sintomas e regularização do organismo e psicoterapêutico para reflexão do momento de vida, desencadeadores da depressão e identificação de possíveis recaídas. Não subestime o sofrimento daquele que tem depressão. Depressão não é frescura! É uma doença e necessita de tratamento.

E você, o que pensa sobre o assunto? Deixe seu comentário.

Fonte: CID 10 - Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª Revisão.

DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

DSM IV - Diagnostical and Statistical Manual of Mental Disorders.

Filme Sugerido: Horas, As (Hours, The), 2002.

Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway". Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.

Escrito por Cíntia Cazangi

Psicóloga clínica, institucional e psicoterapeuta, formada e pós-graduada pela UNESP/SP e Santa Casa de Misericórdia/SP, especializanda em Psicossomática Psicanalítica pelo Instituto Sedes Sapientiae. 10 anos de experiência no atendimento a adultos, adolescentes, idosos, crianças, orientação de pais e profissional.

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